O jejum intermitente tornou-se atualmente muito popular e pode oferecer inúmeros benefícios, segundo estudos (ainda não conclusivos), que vão além da perda excessiva de peso. Mas cuidado, este método não é recomendado para todos e só deve ser feito sob cuidadosa orientação de um bom especialista no assunto! Veja as perguntas básicas mais frequentes e suas respectivas respostas:
O que é jejum intermitente?
Jejum intermitente é definido como um programa alimentar que alterna períodos antecipadamente programados de jejum (abstinência alimentar especialmente de macronutrientes como carboidratos, proteínas e gorduras) com períodos de alimentação controlada.
Para quem é permitido o jejum intermitente?
De forma geral, é indicado para pessoas saudáveis, de 18 a 59 anos (ou mais, conforme o caso) que habitualmente têm uma alimentação equilibrada, principalmente de carboidratos, com boa resistência física, sem comorbidades ou problemas que possam impedir o jejum intermitente e que seguem um estilo de vida equilibrado há um bom tempo.
Como funciona o jejum intermitente?
O jejum intermitente consiste em permanecer sem alimentação por um período e horário determinados pelo especialista individualmente, que pode variar de 8h/12h/16/ até 24h sendo permitido o consumo de água, chás e café sem açúcares nem adoçantes durante o jejum.
O jejum intermitente é considerado uma 'dieta' da moda?
Não. O jejum intermitente não é nem considerado uma dieta e tem base em estudos científicos (porém, ainda não conclusivos). Além disso, esse conceito vem desde nossos ancestrais quando não havia alimento disponível o tempo todo e por isso o corpo acabava se adaptando à condição de escassez de alimentos em que o organismo utilizava as reservas de gordura como fonte de energia. Porém, muita gente acaba querendo praticar esse método tão divulgado hoje em dia para tentar emagrecer a qualquer custo sem orientação de médicos especialistas e responsáveis virando uma modinha altamente perigosa.
Quais são os benefícios do jejum intermitente?
Somente para quem pode e quando bem orientado por um especialista responsável, o jejum intermitente tem como objetivo equilibrar os níveis de insulina e glicose a fim de controlar melhor o apetite e assim auxiliar na prevenção de doenças crônicas, principalmente o diabetes tipo 2 e auxiliar também na perda excessiva de peso. Além desses, ele pode auxiliar na redução dos níveis altos de LDL (colesterol 'ruim') e triglicérides; reduzir a pressão arterial (para quem está tendo hipertensão); reduzir os níveis de cortisol (hormônio do estresse); melhorar a concentração; regenerar as células, ajudando no rejuvenescimento; reduzir o volume da gordura visceral, melhorar a saúde cerebral em alguns casos, desintoxicar o organismo de impurezas, ajudar na redução da ansiedade dentre outros benefícios.
Quanto tempo leva para o organismo receber os benefícios que o jejum intermitente proporciona?
Não há uma resposta definitiva do tempo exato, pois cada organismo reage de maneira diferente, que varia de pessoa para pessoa, levando em consideração vários fatores como idade, sexo, estilo de vida, química de cada organismo, etc. Somente na prática é que se pode ter uma base.
Como o organismo reage com o jejum intermitente?
Basicamente num organismo equilibrado, ele passa a utilizar a própria gordura estocada no tecido adiposo como fonte de energia. Os níveis de insulina no sangue caem, facilitando a queima de gordura, aumenta em até cinco vezes os níveis do hormônio do crescimento (HGH) favorecendo assim o aumento da massa muscular.
Quais são os métodos mais utilizados para o jejum intermitente?
Existem vários, mas os principais são: Método 16/8, na qual o paciente se alimenta dentro de um período de 5 horas e fica por 16 horas sem se alimentar, podendo somente ingerir água, chás e café sem adoçar. Exemplo: Domingo - Levanta às 7h, toma café da manhã às 8h (alimentação equilibrada e orientada), almoça às12h (alimentação equilibrada e orientada), toma um lanche da tarde às 16h (alimentação equilibrada e orientada) e janta até às 19h (alimentação equilibrada e orientada) e fica sem se alimentar das 19h até às 11h do dia seguinte - segunda-feira. Este tipo de jejum pode ser feito de uma até três vezes na semana.
Método 5:2, na qual escolhe-se 2 dias da semana para consumir 1/4 do total de calorias consumidas durante os outros dias de alimentação normal e a ingestão calórica nesses 2 dias gira em torno de 500 a 600 calorias para quem ingere 2000 a 2400 calorias habitualmente, por exemplo.
Método Comer-Parar-Comer, na qual envolve jejuns de 24 horas, 1 ou 2 vezes na semana. Exemplo: jantar às 19h e a próxima refeição será apenas às 19h no dia seguinte. Este método prevê jejum de 24 horas alternado com dias de alimentação equilibrada e orientada.
Outro método bastante conhecido é o jejum intemintente diário de 12 horas. O paciente realiza a última refeição do dia anterior, dorme por aproximadamente 8 horas e depois fica mais 4 horas sem se alimentar pelo período da manhã. Somente um especialista saberá qual o melhor método para cada caso e de acordo com o objetivo de cada um.
Como se alimentar entre o jejum?
Basicamente a alimentação deve ser leve, evitando alguns alimentos que o especialista indicar e orientar, pois cada caso é um caso e varia de pessoa para pessoa, levando sempre em consideração o estilo de vida, sexo, características físicas, atividade física que pratica, altura, peso, etc de cada uma. Por esse motivo é que quem quer aderir ao jejum intermitente, não deve jamais fazer sozinho baseando-se no que nutricionistas comentam nas redes sociais.
Quem não pode ou não deve fazer o jejum intermitente?
As principais contraindicações costumam ser para:
- Crianças e adolescentes;
- Gestantes e lactantes;
- Mulheres no período menstrual;
- Pessoas convalescentes (numa pós-cirurgia, pós-internação, pós-tratamento, etc);
- Idosos (a partir de determinada idade);
- Pacientes com insuficiência renal;
- Diabéticos (tanto do diabetes tipo 1 quanto do tipo 2, principalmente se faz uso de medicamentos hipoglicemiantes);
- Pacientes com processos inflamatórios e/ou virais;
- Pacientes com infecções ou sistema imunológico deficiente;
- Pacientes fazendo uso de algum medicamento, principalmente os de uso controlado ou contínuo;
- Pessoas que sofrem com hipotensão (pressão baixa);
- Pessoas anêmicas;
- Pessoas com IMC abaixo da média;
- Pessoas com problemas na tireóide;
- Pessoas em estado depressivo ou depressão;
- Pessoas com problemas cardíacos graves;
- Problemas com distúrbios de ansiedade e/ou síndrome do pânico;
- Pessoas com gastrite ou úlcera;
- Pessoas com problemas mentais;
- Pessoas com doenças degenerativas;
- Pessoas que sofrem com algum distúrbio alimentar tais como compulsão alimentar, anorexia, bulimia, etc;
- Pessoas que sofrem ou tenham suspeita de labirintite;
- Pessoas que sofrem de enxaqueca ou cefaleias;
- Pessoas que fizeram cirurgia bariátrica (redução de estômago), dentre outras condições que o seu especialista encontrar risco.
Todas as pessoas que não têm contraindicação para o jejum intermitente, podem fazer?
Somente quando houver indicação ou aval de um especialista responsável.
Existem consequências negativas com o jejum intermitente mesmo com indicação ou aval de um especialista?
Se o jejum intermitente for repetido por longos períodos ou com muita frequência, tem possibilidade sim, pois pode alterar o equilíbrio da produção dos hormônios da fome/saciedade, o que pode causar distúrbios em longo prazo, envelhecimento precoce, doenças relacionadas, hiperfagia (superalimentação nos momentos em que o alimento está disponível), dentre outros problemas. Por isso a necessidade de acompanhamento por um profisssional (nutricionista ou nutrólogo especializado no assunto) quando houver indicação do jejum intermitente.
O que não pode e não deve ser feito durante o jejum?
Não é recomendado praticar exercícios no período de jejum, pois os níveis da glicose podem interferir na prática, mas é aconselhável manter a rotina de exercícios nos períodos em que esteja se alimentando, respeitando sempre os limites do organismo em questão. Também não é aconselhável sair de casa, trabalhar, estudar, manter longas conversas, enfim todas as atividades que podem despender muita energia, pois é recomendado preservá-la. Não é permitido o uso de medicamentos para "auxiliar" no jejum exceto se for sob prescrição médica o que não é comum. Já o uso de florais e/ou alguns óleos essenciais de uso tópico podem ser administrados desde que seu especialista seja avisado. O uso de fitoterápicos e/ou homeopáticos também deve ser bem orientado por seu especialista durante o jejum.
O jejum intermitente é seguro quando bem orientado e por pessoas que podem aderir a ele?
Sim, desde que o paciente se submeta a exames que normalmente um bom profissional costuma pedir antes de começar o programa de jejum. Nesses exames serão analisadas as condições gerais de saúde e condições metabólicas do paciente para descartar possíveis doenças ou problemas que impeçam o programa. Após descartar tais problemas, o médico endocrinologista poderá encaminhar o paciente ao nutrólogo ou nutricionista especializado para avaliar se realmente é indicado o jejum intermitente, o método mais adequado para ele por tempo determinado e as instruções para um bom acompanhamento e sucesso.
Quais especialistas se deve procurar para esse tipo de programa?
Como dito acima, o endócrino (especialista em doenças metabólicas), o cardiologista/vascular, dentre outros especialistas (quando houver dúvidas de doenças relacionadas) para depois com o aval desses especialistas passar com um bom nutrólogo ou nutricionista especializado em jejum intermitente.
Pode tomar suplemento durante o jejum?
Os suplementos devem ser analisados pelo profissional. Geralmente suplementos que contenham carboidratos, proteínas ou gorduras são excluídos no período de jejum, mas vai depender também de cada caso. Alguns suplementos de antioxidantes no período de jejum, ajudam a potencializar no processo de queima de gordura. Por iso se faz necessário informar ao especialista algum suplemento que porventura esteja utilizando.
Quais os efeitos colaterais do jejum intermitente?
Quando bem orientado e bem programado por profissionais responsáveis e por pacientes fora dos fatores de risco (contraindicações) normalmente não costuma causar desconforto significativo. Mas no início algumas pessoas podem sentir fome durante o período de jejum, leve enjoo ou leve dor de cabeça ou um pouco de fraqueza mas é só uma questão de adaptação do organismo e que varia de indivíduo para indivíduo. Porém, se realizado por profissional não especializado e de maneira incorreta, pode aumentar os níveis de estresse, atrapalhar o sono, causar desidratação, hipoglicemia, dores de cabeça fortes, dentre outros problemas mais graves. Por isso, todo cuidado é pouco! Lembre-se que cada organismo é único. Respeite o seu!
Jejum intermitente é garantia de perda de peso ou emagrecimento?
Não existe garantia total de que com o jejum intermitente a pessoa irá emagrecer e de maneira equilibrada, pois vai depender de fatores como características genéticas, fases da vida, problemas psicossomáticos, dentre outros. Cada pessoa responde de maneira diferente da outra. As causas da obesidade ou sobrepeso geralmente tem inúmeras causas que devem ser bem estudadas individualmente antes de começar qualquer tratamento ou programa de emagrecimento. Então, se você quer emagrecer achando que somente com o jejum intemitente irá obter resultados fantásticos, é bom reavaliar. Lembre-se de que o que deu certo para sua amiga, não siginifica que com você ou outra pessoa vai dar certo também.
Se uma pessoa já fez jejum intermitente, não possui nenhuma contraindicação para o programa e tem uma dieta equilibrada proposta por um profissional, pode fazer o jejum intermitente de vez em quando?
Sim, desde que o profissional que acompanha sua dieta, prescreva novamente.
NOTA IMPORTANTE:
É bom ressaltar que na Medicina os estudos com base científica nem de longe são infalíveis. Apenas que quando são aprovados é porque teve mais benefícios e menos riscos para determinado tratamento, medicamento, exames, etc. E isso não quer dizer isento de riscos nem de total benefício e principalmente para 100% da população. É bom saber disso, pois cada indivíduo é diferente um do outro e a Medicina não é uma ciência exata. Mesmo procurando ótimos especialistas, todos estão sujeitos a erros e acertos, porém sob a supervisão destes, os riscos e/ou efeitos indesejados podem ser melhores calculados/contornados.
Para maiores informações sobre o assunto acesse o link abaixo:
https://www.asbran.org.br/storage/downloads/files/2019/08/parecer-jejum-intermitente-1567189454.pdf


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